domingo, 6 de outubro de 2013

No meio da cidade

O outono chega, e, sem pressa, despe as árvores do St. Stephen’s Green. O parque se transforma bem aos nossos olhos. Como se as centenárias árvores pedissem que, só por um instante, notemos o seu vagaroso espetáculo.







sábado, 5 de outubro de 2013

Um lugar chamado Hostel

Quem já sabe o que é um Hostel está autorizado a pular esta parte. Hostel é uma espécie de albergue, hospedaria. Um lugar onde se paga barato para dormir e é procurado geralmente por estudantes e mochileiros. Em um Hostel você divide o quarto com outras pessoas e dorme em beliches. Tem uma cozinha com os utensílios básicos e cada um prepara a sua comida. Os banheiros também são “comunitários”.


Pois bem, minha primeira semana em Dublin foi em um Hostel. Logo de cara percebi que eu sou uma chata. Sim, porque não gosto das minhas coisas jogadas e daquele entra e sai de gente no quarto. Chata ou velha, ou os dois. Esse foi o primeiro “presente” que ganhei quando me propus a sair da minha zona de conforto. E já posso falar com propriedade: no discurso é mais fácil. Ainda mais que eu já tinha visto aquele filme “O Albergue”, produzido pelo Tarantino. Dá um Google pra você saber mais, mas adianto que é sinistro. Envolve estrangeiros, passaportes roubados e sangue, muito sangue. Enfim!
Foi um choque inicial. Mas no segundo dia vi que aquela experiência poderia ser interessante (esquece o filme). Conhecei aplicando a técnica da observação não participante. Imagina a cena: gente entra, gente sai, em grupo, sozinho, de fone, sem fone, falando espanhol, inglês, polonês, alguma coisa árabe e japonês. “Oh My God, estou no antro da diversidade!”, pensei. Juro que parecia a arca de Noé. Todos ali, no mesmo barco.


No terceiro dia já comecei a falar Hi, Hello, How are you? para uns poucos que me olhavam. É que tem uma coisa boa em Dublin: ninguém tá nem aí pra você. Mas tem uma ruim também: ninguém tá nem aí (mesmo) pra você. Voltando. Você já começa a reconhecer os brasileiros, aliás, como tem brasileiro aqui! Só no meu voo eram pelo menos 15 vindo fazer exatamente a mesma coisa que eu: estudar e trabalhar. (Que ódio!) Voltando de novo. Você troca algumas palavras aqui e ali e se dá conta que o seu problema é o mesmo do cara do lado! Então é legal, sabe? Conforta.
Como em todo lugar, tem o careta que estuda 18 horas por dia (e vai ser meu chefe, provavelmente), as russas descoladas de cabelo rosa, o argentino amigão de todos, a espanhola gordinha e falante, o casal de namorados gente fina da Venezuela, e por aí vai. Essa espanhola ficou comigo no quarto. Uma figura! Combinamos de falar só inglês. O dela era melhor que o meu, então, ela falava mais. Pelo menos era a minha roommate mais simpática. Saia e voltava bêbeda toda noite. Depois reclamava que o trabalho era muito cansativo. Aha, eu sei.



Conversando mais um pouco, descobri pessoas que moravam no Hostel. Sim! Tipo, gente que optou por este tipo de acomodação porque acharam mais conveniente o preço, tem café da manhã de graça, não precisa se preocupar com a limpeza, essas coisas. Aí eu parei! Quer dizer: se alguém escolheu morar em um Hostel é porque ali se sente bem, se sente em casa. Claro que essas pessoas são na maioria meninos que
tão nem aí com o #todomundojuntomisturado. Pensa comigo: é legal, muito legal quando você tem 18 anos. É uma festa, com toda liberdade do mundo. No meu caso, achei bacana a experiência, mas não consigo esconder minha felicidade porque vou agora pra uma hostfamily por 3 semanas. Depois eu conto.

E viva a coletividade!!!  

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Desbravando a Irlanda

Hoje foi um dia muito bacana. Tive a oportunidade de conhecer uma pequena vila chamada Howth, que fica na costa leste da Irlanda, no Condado de Dublin. É um lugar muito fofo, charmoso e um pouco bucólico.

Eu andava por aquelas ruas e tinha a sensação exata de estar em um filme. Parecia que a qualquer momento o diretor ia gritar “corta, corta”. As ruas limpas, flores nas janelas, vários cafés e bares pequenos cheios de pessoas tranquilas. Nada de badalação. Sem contar a vista para o mar da Irlanda e um vento gelado no rosto.

A relação dos irlandeses com a praia não é como a nossa. Quando nós, brasileiros, falamos em passar um fim de semana na praia, logo vem a imagem da farofada, de areais disputadíssimas, “olha o picolé”, “sai daí piá, vai se afogá”, e por aí vai. Como na Irlanda as temperaturas são muito baixas, especialmente agora com a chegada do outono e em seguida de um rigoroso inverno, as pessoas vão à praia para apreciar a paisagem, caminhar, olhar o infinito.
Tanta coisa incrível aos meus olhos e por um instante eu me pego olhando pra dentro, fazendo uma reflexão sobre tudo até aqui. Quem sabe esse seja o propósito do lugar. Sentir a calmaria lá fora pra poder escutar a voz aqui dentro.




Um Charme!

O centro de Dublin é formado por duas ruas principais. A O’Connell Street, em Dublin 1, uma rua larga com uma mistura arquitetônica interessante, onde prédios modernos e históricos dividem espaço e o aspecto é mais urbano e cosmopolita...


...e a Grafton Street, que fica em Dublin 2 e é um calçadão. O que separa as duas é o Rio Liffey e o Trinity College (outro dia falo dele aqui). Nela só passam pedestres. E foi por ela que eu me apaixonei, tipo amor à primeira vista. A rua é bem mais provinciana e elegante que a O’Connell. É na Grafton Street que os artistas de rua se apresentam todos os dias. Quando faz sol, coisa rara em Dublin, eles brotam de todos os lados. Há várias bancas vendendo flores. Um encanto! Pra você se deliciar com o clima do coração de Dublin, alguns registros:
 


 
 


 
 
 
 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Juras de Amor

Quando a gente chega em Dublin, várias coisas chamam a atenção. E eu não estou falando da história riquíssima da cidade. Me refiro a coisas simples e corriqueiras que não conseguem passar despercebidas.

A primeira delas é o trânsito. Aqui os motoristas ficam no lado direito do carro, e não no esquerdo, como é no Brasil. É a tal da "mão inglesa", que existe em 7 países da Europa. Levei vários sustos porque olhava e num primeiro instante, parecia que não tinha motorista. Com isso, a mão da rua também é invertida. Pra atravessar, nunca sei pra que lado olhar. Na dúvida, miro pra todos os lados.
Mas uma coisa que eu achei muito fofa e me chamou a atenção logo de cara foi a Ponte do Cadeado. Assim os brasileiros conhecem, mas o nome dela é Ha’Penny Bridge e liga Dublin 1 a Dublin 2. Nela os casais fazem juras de amor eterno, colocam os seus nomes, fecham o cadeado e jogam a chave no rio. Encontrei vários brasileiros! Olha esse da Bianca e do Guido. Que bonitinho, não é?! Devem estar juntos ainda... tão recente! 

 


Os Pubs Irlandeses

Visitar a Irlanda e não conhecer um Pub é como ir a Roma e não conhecer o Papa. Não tem sentido algum.

A vida social na Irlanda acontece nos Pubs. Eles abrem por volta do meio dia e fecham em torno de 2 horas da manhã. São cerca de mil deles em Dublin. Impossível conhecer todos. Mas tem um que não pode passar em branco: o Temple Bar. É o mais famoso e o mais antigo da cidade. Tanto que a área onde o Pub está localizado ficou conhecida como “a região do Temple Bar”, em Dublin 2.
É impressionante como esses lugares estão sempre cheios. São espaços pequenos, com música animada, pouca luz, diversas cervejas e muita gente rindo e falando alto. Turistas aos montes, mas também os irlandeses nativos. Já estou conseguindo reconhecê-los em meio a tanta diversidade.
A cerveja mais famosa daqui é sem dúvida a Guinness, uma bebida escura de gosto amargo que tem mais de 250 anos de tradição. Eu já havia provado no Brasil e não gostei. Mas é claro, meu paladar ainda não foi treinado para saboreá-la. Quem sabe ao final da minha estada por aqui estejamos mais familiarizados.
De chegada, preferi experimentar algo mais leve, a Bulmers. O sabor lembra cerveja e espumante misturados. É mais leve e mais adocicada que as nossas cervejas. Achei muito interessante. Mas até provar uma cerveja eu bati perna, já que a cerveja é cara. Na região do Temple Bar chega a custar 7 euros o pint (copo de meio litro). Eu consegui por 4 euros. Yeah! Tem até um ditado entre os brasileiros que vivem aqui que diz “quem converte não se diverte”. Faz sentido porque se você for pensar em reais, 4 euros significam mais de 12 reais. Pra uma cerveja? É demais.
A relação entre os irlandeses e a bebida é tão antiga quanto a história do país. Aqui eles bebem pra comemorar tudo: nascimento, noivado, casamento, início de namoro, fim de namoro, nota boa na prova, etc, etc. Até a morte de um familiar ou amigo é motivo para beber. E eles enchem a cara mesmo. Mas só dentro dos Pubs, porque beber na rua é proibido.
O mais legal disso é tudo é andar pelas ruas e ter a impressão de estar no cenário de um filme. Becos, ruelas, prédios antiguíssimos que abrigam os Pubs, tudo ali, na sua frente! Aquilo que o cinema e a literatura retratam, ao vivo, com riqueza de detalhes. Isso, claro, mais evidente antes de se beber alguns pints 
 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Paciência

Aqui estou tendo a grande oportunidade de exercitar aquilo que nunca foi meu forte: esperar.

Um intercâmbio é lindo, mágico, libertador, você conhece o mundo, milhares de pessoas, aprende um novo idioma, maravilhoso! Mas, de chegada, o choque é grande. Desde domingo me sinto uma criança pequena: eu não consigo me comunicar! Você tem ideia do que é não saber como dizer as coisas mais básicas que você quer, que você sente ou precisa? Já tinham me avisado que esse stress inicial é super normal e faz parte da mudança. Mas que é muito angustiante, ah isso é. Minha cabeça dói. Já saquei que nada aqui é pra ontem. Talvez esse seja o primeiro passo da evolução interior que acontece quando nos propomos a este tipo de desafio.

Fui até a escola e, claro, entendi parte só do que a moça falou. Parece que aquele pouco de inglês que eu já sabia escapou pelo ralo. Eu não lembrava mais nem os dias da semana, acredita nisso? Me senti uma idiota. Mas, consegui entender que meu teste de nivelamento é na quinta. Aula mesmo só na próxima segunda-feira. OK, tudo bem... eu espero! Aproveitei o dia de ontem para encaminhar o meu PPS, que é o nosso CPF no Brasil. É só depois dele que eu poderei fazer todas as outras coisas, como abrir conta no banco, encaminhar meu visto e procurar trabalho. Caminhei uns 40 minutos, mais ou menos, pra encontrar o tal lugar pra fazer o PPS. E descobri outra coisa também: aqui as pessoas caminham muuuuito! Todo mundo. Meu tênis mais confortável me fez bolha.  Segundo choque. (Depois a gente reclama quando não consegue estacionar o carro NA FRENTE DA LOJA aí no Brasil).
Ontem também fui ao supermercado. Essa parte eu achei o máximo! Sim, porque aqui eu não vim a turismo. E pagar pra comer fora todos os dias não tem como, não há bolso de estudante que suporte. O valor que eu gastaria em um café da manhã (que é a principal refeição deles) deu pra comprar comida pra semana toda. Gastei pouco mais de 12 euros e enchi a cestinha. Guardei algumas coisas na cozinha do Hostel e algumas coisas eu trouxe pro quarto, como água e frutas. Pra se ter uma ideia, o salário mínimo deles aqui é o dobro do nosso, e eu comprei todas essas coisas aí com metade do que gastaria no Brasil. É, no mínimo, injusto.

Hoje (apenas terceiro dia aqui) confesso que só tenho vontade de ficar na cama. Já caminhei muito, não consegui me comunicar (ou, consegui muito pouco), ainda não tenho aula e meu corpo não se acostumou com o fuso horário. Talvez uma caminhada no parque, mais tarde, seja confortante. (Eu disse caminhada? OMG!)